Osvaldo Lyra afirma que busca pela imparcialidade segue como ‘desafio’ da imprensa diante da polarização

O diretor de Comunicação da Câmara Municipal de Salvador (CMS) e editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, afirmou, nesta quinta-feira (14), que a busca pela imparcialidade no jornalismo continua sendo um “desafio”, diante de um cenário marcado pela polarização política e pelo crescimento do chamado “jornalismo militante”. A declaração ocorreu durante participação no painel “O desafio da imparcialidade: Cobertura política em tempos de polarização extrema”, do 2º Encontro de Comunicação Legislativa da Bahia, realizado na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), em Salvador.

Ao discutir os impactos da polarização sobre a imprensa, Lyra defendeu que os veículos de comunicação precisam buscar equilíbrio editorial e compromisso com a apuração dos fatos. O jornalista também avaliou que parte da população já consegue identificar quando há direcionamento ideológico em determinadas coberturas.

“Eu acho que a imparcialidade é e vai continuar sendo um desafio constante. A gente vive num ambiente cada vez mais polarizado, a gente tem visto aí o jornalismo se misturando e você tem hoje muito forte um jornalismo militante”, afirmou.

Confira os principais destaques do dia!

Jornalismo militante e polarização política ampliam pressão sobre a imprensa
Durante o debate, Osvaldo Lyra destacou que o jornalismo contemporâneo enfrenta um ambiente de forte tensionamento político, no qual comunicadores e empresas de mídia acabam assumindo posições ideológicas de maneira mais explícita. Segundo ele, esse movimento faz com que parte da imprensa seja utilizada como ferramenta de disputa política.

O diretor de Comunicação da Câmara de Salvador afirmou ainda que o público já percebe diferenças claras, entre veículos que buscam maior equilíbrio na cobertura e aqueles que atuam alinhados a determinados grupos políticos.

“A própria população consegue entender onde um trabalho busca atuar de acordo com o fato, buscando uma imparcialidade, porque a imparcialidade é sempre muito questionada desde quando a gente chega na faculdade”, declarou.

Lyra ressaltou ainda que diferentes interpretações sobre um mesmo fato fazem parte da atividade jornalística, mas defendeu que a missão principal do profissional de comunicação deve ser a busca pela verdade factual.

“Existem olhares diferentes sobre aquele fato, sobre aquela notícia e a construção da imparcialidade é a busca para você estar cada vez mais próximo do que realmente aconteceu. Você tem opinião, você tem a sua posição, mas o desafio é cada vez maior você ficar mais perto do que realmente aconteceu”, apontou.

Editor-chefe do Portal M! cita exemplos de veículos alinhados ideologicamente
Ao abordar o crescimento do chamado jornalismo militante, Osvaldo Lyra mencionou veículos que, segundo ele, passaram a dialogar diretamente com nichos políticos específicos. Entre os exemplos citados, ele mencionou o site The Intercept e a emissora Jovem Pan.

“Basta a gente ver o estrago que o Intercept está causando aí com essa questão do Vorcaro, do Flávio Bolsonaro, e de como isso é uma estratégia utilizada pela esquerda para poder atingir a direita. Da mesma forma, que a Jovem Pan é um veículo que cresceu, que tem a sua história, tem a sua relevância e passou a dialogar muito mais com o eleitorado e com esse nicho do bolsonarismo contra o PT”, avaliou.

Segundo Lyra, esse cenário acaba estimulando uma parcela do jornalismo a reforçar o compromisso com a credibilidade e com a pluralidade de versões sobre os fatos. Ele afirmou que a confiança do público depende diretamente da capacidade dos veículos em apresentar diferentes perspectivas.

“Acho que o grande desafio é você encontrar o equilíbrio e mostrar tudo, cabe ao eleitor, cabe ao cidadão, cabe ao telespectador entender isso e a partir daí tirar sua própria conclusão”, disse.

Busca pelo equilíbrio segue como desafio para os veículos de comunicação
Durante sua participação no encontro, Osvaldo Lyra também afirmou que o ambiente digital, os algoritmos e a segmentação de público intensificaram a formação de bolhas ideológicas. Para ele, muitos veículos acabam direcionando conteúdos para públicos específicos, fortalecendo discursos alinhados aos próprios seguidores. Apesar disso, o jornalista defendeu que os profissionais de comunicação façam uma reflexão constante sobre o tipo de jornalismo que desejam exercer.

“Cabe a todos nós jornalistas fazermos o exame de consciência e cada um decidir qual o tipo de jornalismo que queremos fazer. Se com mais isenção, se tomando um lado”, afirmou.

Na avaliação do do jornalista, a busca por equilíbrio editorial continua sendo fundamental para preservar a confiança do público na imprensa. “Eu acho que o grande desafio hoje dos veículos de comunicação é tentar ficar mais próximo da coluna do meio, nem muito ao sol, nem muito à lua, buscar o diálogo, falar bem e mal, mostrar o que acontece dos dois lados”, concluiu.

Edit Template
© 2025 Criado por Jousites