O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, rebateu neste domingo (20) declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), feitas durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, diretamente dos Estados Unidos. O parlamentar atacou agentes da PF e fez menção direta ao delegado Fábio Alvarez Shor, responsável por investigações que envolvem seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante a live, Eduardo adotou tom de ameaça:
“Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você… ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente…”, afirmou, referindo-se ao delegado como “delegadinho”.
A fala gerou reação imediata da cúpula da corporação. Por meio de nota, Andrei Rodrigues declarou ter recebido “com indignação mais essa covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais” e garantiu que todas as medidas legais serão adotadas.
“Nenhum investigado intimidará a Polícia Federal”, enfatizou o diretor-geral.
Investigado e alvo de PAD
Eduardo Bolsonaro é alvo de um processo administrativo disciplinar (PAD) dentro da própria PF, onde possui cargo de escrivão licenciado. O procedimento foi instaurado após declarações ofensivas feitas anteriormente contra o mesmo delegado Fábio Shor, que conduz apurações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Se for condenado nesse PAD, o parlamentar poderá ser tornado inelegível, o que ampliaria ainda mais seu desgaste político e jurídico.
A Polícia Federal ressaltou que ameaças a agentes públicos no exercício de suas funções são consideradas graves e podem ser objeto de novas investigações criminais.
Mandato em risco
Ainda durante a transmissão, Eduardo Bolsonaro afirmou que não pretende renunciar ao mandato na Câmara dos Deputados. No entanto, a licença de 120 dias que havia solicitado termina neste domingo (20). Caso não retorne às atividades parlamentares ou apresente justificativas formais, o deputado poderá começar a ter faltas registradas, o que pode desencadear um processo por quebra de decoro ou cassação por ausência.
As declarações do deputado ocorrem em meio ao aprofundamento das investigações sobre a atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em articulações antidemocráticas, e reacendem o embate entre o núcleo bolsonarista e instituições como o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.






