Bolsonaro pode ser preso nesta terça-feira; aliados e adversários avaliam impacto

A terça-feira (22) começou com fortes expectativas no meio político: tanto aliados quanto adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) admitem, nos bastidores, que há uma possibilidade real de prisão ainda hoje, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A avaliação é unânime entre governistas e oposição: Bolsonaro corre risco imediato de ser detido por descumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF. Na última sexta-feira (18), Moraes determinou que o ex-presidente não poderia utilizar redes sociais – nem por perfis de terceiros – e proibiu a concessão de entrevistas que sejam divulgadas nessas plataformas. Mesmo assim, Bolsonaro voltou a se manifestar publicamente já nesta segunda-feira (21), o que foi interpretado como afronta à decisão judicial.

Diante disso, Moraes deu prazo de 24 horas para a defesa do ex-presidente apresentar explicações. O despacho foi divulgado após questionamentos feitos pelo Metrópoles, que apurou o temor de Bolsonaro de que uma simples entrevista poderia levá-lo à prisão.

Prisão antecipada e crise na oposição

A possibilidade de uma prisão ainda neste mês surpreendeu até os aliados mais próximos. Fontes do PL e da base governista afirmam que a expectativa era de que uma medida desse porte só fosse adotada no fim do ano, com novembro sendo citado como o cenário mais provável.

A antecipação de um possível afastamento definitivo de Bolsonaro da política provocou apreensão entre lideranças do PL. Segundo um ex-ministro influente ouvido reservadamente, o partido não está preparado para lidar com a ausência do principal nome da direita brasileira.

Alguns parlamentares que viajaram a Brasília para a reunião com Bolsonaro na segunda-feira decidiram permanecer na capital em regime de plantão, prontos para reagir em caso de prisão.

A cúpula do PL está dividida. A ala majoritária acredita que não há base jurídica suficiente para uma detenção e avalia que Moraes estaria politizando a aplicação da lei. Já uma ala minoritária argumenta que o fato de o ministro ter concedido 24 horas para a manifestação da defesa indica que a prisão ainda não é inevitável.

Há também um grupo mais pragmático dentro do partido, sobretudo entre políticos ligados ao Centrão, que consideram que uma prisão de Bolsonaro pode ser vantajosa eleitoralmente. Para eles, a saída antecipada do ex-presidente abriria espaço para reorganizar a direita e definir um novo nome para a corrida presidencial de 2026 – longe da figura polarizadora de Bolsonaro.

Governo monitora, mas sem estratégia definida

No Palácio do Planalto, a possível prisão também divide opiniões. Segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda não há uma estratégia formalizada para reagir a esse cenário. Enquanto uma ala acredita que a retirada de Bolsonaro do cenário político pode reduzir a polarização e comprometer os planos de crescimento de popularidade do governo, outra teme que isso acirre disputas internas na direita e cause um vácuo perigoso de liderança no campo conservador.

Lideranças petistas, no entanto, já defendem publicamente a prisão. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou ao Metrópoles que a prisão preventiva é necessária:

“Bolsonaro não vai abrir mão de defender o golpe continuado, vai continuar atacando as instituições. […] Eles funcionam como uma organização criminosa contra o Brasil e contra o STF. Não vejo outro caminho senão a prisão”, declarou.

Farias acrescentou que a prisão não se resume ao risco de fuga, mas à necessidade de interromper uma campanha sistemática e transnacional contra as instituições brasileiras.

Tensão entre herdeiros políticos

Internamente, o governo observa também as rachaduras entre os possíveis sucessores de Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já protagonizaram embates recentes relacionados à atuação do parlamentar em articulações com os Estados Unidos.

As divergências foram amenizadas apenas após intervenção direta do ex-presidente, o que reforça o temor de que sua eventual prisão possa desencadear uma disputa desordenada pela liderança do campo conservador.

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