Desde 2015, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), empregou em seu gabinete quatro familiares da fisioterapeuta Gabriela Batista Pagidis — apontada como funcionária fantasma. Entre os beneficiados estão a mãe, a irmã, uma tia e um primo de Gabriela. Ao todo, os cinco membros da família Pagidis receberam mais de R$ 2,8 milhões em salários pagos pela Câmara dos Deputados durante seus vínculos com o gabinete de Motta.
A mãe de Gabriela, Athina Batista Pagidis, foi nomeada em fevereiro de 2011 e permaneceu no cargo até julho de 2019. Já a irmã, Barbara Pagidis Alexopoulos, esteve lotada no gabinete em dois períodos: de julho de 2012 a outubro de 2015 e, posteriormente, entre novembro de 2021 e dezembro de 2024. Neste segundo período, ela alcançou o maior salário entre os ocupantes do gabinete.
A tia, Adriana Batista Pagidis França, foi nomeada em setembro de 2017 e exonerada em dezembro de 2022. O primo, Felipe Pagidis França, trabalhou de novembro de 2021 a março de 2023. Em suas redes sociais, ele se apresenta como músico e guitarmaker — profissional que fabrica guitarras artesanalmente.
A única da família apontada como funcionária fantasma é Gabriela Pagidis, que, segundo o Portal Metrópoles, teria recebido R$ 805,7 mil ao longo de oito anos sem cumprir expediente regular. Os demais não têm, até o momento, indícios de ausência nas atividades.
Salários pagos pela Câmara dos Deputados
Durante seus vínculos com o gabinete de Hugo Motta, os quatro familiares de Gabriela Pagidis receberam os seguintes valores:
- Athina Pagidis (mãe): R$ 919.917,83
- Barbara Pagidis (irmã): R$ 710.579,65
- Adriana Pagidis (tia): R$ 244.858,89
- Felipe Pagidis (primo): R$ 94.702,19
Todos os membros da família atuaram como secretários parlamentares, com exceção de Felipe, que ocupou um Cargo de Natureza Especial (CNE).
Segundo apuração da coluna do Metrópoles, os contracheques registraram variações bruscas ao longo dos meses, com alterações de cargos entre níveis discrepantes, resultando em aumentos e reduções de salário em um curto intervalo — em alguns casos, mais de uma vez no mesmo ano. A movimentação incomum chamou a atenção por sugerir promoções e rebaixamentos sucessivos, prática atípica na rotina administrativa da Câmara.
Sem resposta sobre contratações; nota sobre funcionária fantasma
Procurada para comentar a contratação dos parentes de Gabriela Pagidis, a equipe de Hugo Motta não se pronunciou. Em relação às acusações envolvendo Gabriela, classificada como funcionária fantasma, a assessoria do presidente da Câmara divulgou a seguinte nota:
“O presidente Hugo Motta preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara.”
Deputado federal desde 2011, Hugo Motta é hoje uma das figuras centrais no Congresso Nacional. A contratação de múltiplos membros de uma mesma família, especialmente ligada a uma funcionária suspeita de não exercer suas funções, levanta questionamentos sobre a gestão de pessoal e os critérios adotados em seu gabinete.






