SulAmérica silencia diante de graves denúncias de colocar em risco a saúde e a vida de clientes na Bahia

Dois beneficiários da SulAmérica Saúde alegam estar enfrentando incertezas quanto à continuidade do tratamento contra a obesidade após serem informados sobre atrasos nos repasses da operadora ao Hospital da Obesidade, localizado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo os relatos, a situação tem provocado preocupação diante da possibilidade de interrupção de tratamentos considerados essenciais para a qualidade de vida.

Normaci Analia Pinto de Vasconcelos, cliente da SulAmérica há cerca de 30 anos, trava uma disputa judicial contra a operadora. De acordo com sua defesa, ela já possuía decisão favorável da Justiça da Bahia garantindo o custeio do tratamento hospitalar para obesidade em razão do risco à vida. No entanto, mesmo com determinações judiciais, a paciente afirma estar enfrentando novos obstáculos para receber a assistência.

Ainda conforme a defesa, a determinação não foi cumprida dentro do prazo. A autorização para uma cirurgia cardíaca de emergência só foi concedida dez dias após o término do prazo estabelecido pela Justiça e depois do registro de uma reclamação na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

“Foram diversas tentativas extrajudiciais de contato, e-mails, mensagens para o jurídico da empresa, tudo sem resposta. A vida da nossa cliente estava por um fio”, relatou a advogada Celeste Costa Alves Anjos, que defende os interesses da paciente.

Confira mais notícias da Editoria de Saúde!

Além da cirurgia cardíaca, Normaci também teme perder a continuidade do tratamento contra a obesidade. Sua advogada relata que a paciente foi comunicada pelo Hospital da Obesidade, no dia 28 de julho, de que a SulAmérica não estaria efetuando os pagamentos referentes aos serviços prestados.

De acordo com a defesa, quatro notas fiscais, com vencimentos entre junho e julho deste ano, permanecem em aberto, situação essa que pode comprometer a continuidade do tratamento e levar risco à saúde da reclamante A advogada revela que a paciente vive um cenário de insegurança mesmo estando amparada por decisões judiciais.

“A paciente foi informada de que, com a iminência do não pagamento, os serviços poderiam ser suspensos. Ou seja, mesmo com uma ordem judicial para protegê-la, ela corre o risco de ter o tratamento interrompido no meio de um procedimento vital. É um ciclo de descaso que não parece ter fim”, pontuou.

Outro beneficiário da SulAmérica, Demétrio Reis Barreto Neto, relata uma situação semelhante. Também em fase de manutenção do tratamento para obesidade, ele afirma já ter eliminado mais de 100 quilos durante a internação hospitalar. Segundo o paciente, a perda de peso proporcionou o controle da pressão arterial e de diabetes, além da reversão da esteatose hepática. Apesar da melhora clínica, ele afirma que a interrupção do tratamento pode comprometer todos os resultados obtidos: “Por se tratar de uma doença crônica, a interrupção do tratamento acarretará o ganho de peso em poucos meses, recolocando-me em situação de risco de vida”, afirmou.

Demétrio informou que seu advogado analisa o caso para ingressar com uma ação judicial. Segundo ele, o Hospital da Obesidade apresentou documentos que comprovariam o envio das notas fiscais à operadora, demonstrando que os pagamentos não estariam sendo realizados. O paciente destaca que é a primeira vez que enfrenta esse tipo de problema, mas diz ter sido informado de que os pagamentos referentes aos demais pacientes da unidade estariam suspensos há mais de 90 dias.

Confira os principais destaques do dia!

Ainda de acordo com Demétrio, ao procurar a SulAmérica, recebeu a informação de que a operadora desconhecia qualquer interrupção nos pagamentos ou a existência de débitos. A versão, segundo ele, diverge das informações repassadas pelo setor financeiro do hospital, que teria apresentado e-mails com o envio das cobranças e solicitações de auditoria para regularização dos repasses. Até o momento, o beneficiário registrou reclamação na ouvidoria da SulAmérica e informou que pretende acionar a ANS e comunicar o caso à Justiça.

Hospital da Obesidade atribui impasse à inadimplência da operadora

Em nota, o Hospital da Obesidade afirmou que jamais interrompeu tratamentos por iniciativa própria e que, ao longo de sua atuação, sempre buscou garantir a continuidade da assistência, mesmo arcando por longos períodos com custos decorrentes da inadimplência de operadoras de saúde.

A unidade informou que atende beneficiários da SulAmérica mediante autorizações emitidas pela própria operadora e ressaltou que não integra as ações judiciais movidas pelos pacientes, nem possui contrato de credenciamento com a empresa. Segundo o hospital, a dívida da SulAmérica ultrapassa R$ 3,2 milhões. Além dos pacientes citados, mais de 40 pacientes seguem com risco de terem seus tratamentos interrompidos, com riscos à saúde e à vida dos segurados.

Procurada pela reportagem, a SulAmérica se limitou a dizer que não iria se pronunciar sobre os casos.

Edit Template
© 2025 Criado por Jousites