STF e TSE descartam anulação das eleições defendida por Flávio Bolsonaro e reconhecem vitória de Lula

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descartam a possibilidade de anulação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e reconhecem a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação contraria a posição do senador Flávio Bolsonaro (PL), que se recusou a reconhecer a derrota nas urnas e anunciou que recorrerá à Justiça para tentar invalidar o resultado.
Entre integrantes dos dois tribunais, o entendimento predominante é de que eventuais ações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro não devem prosperar. A avaliação é de que não existem elementos suficientes para justificar a anulação das eleições.
Na noite de domingo (25), ao anunciar oficialmente a reeleição de Lula, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do horário de votação, determinada após denúncias de problemas no transporte público, não comprometeu a apuração dos votos.
“Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou o ministro.
Nunes Marques também destacou a preocupação da Justiça Eleitoral com possíveis impactos tecnológicos da medida. “Não seria possível em poucas horas construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advindo de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração”, acrescentou.
O Tribunal Superior Eleitoral também rebateu uma declaração de Flávio Bolsonaro de que fiscais do Partido Liberal teriam sido retirados da chamada sala-cofre durante a apuração dos votos.
Em nota, a Justiça Eleitoral classificou a afirmação como “falsa” e esclareceu que o espaço não é aberto à visitação.
“Todas as demais unidades e áreas do Tribunal, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a totalização e a divulgação dos resultados do pleito”, informou o TSE.
Outro fator considerado por ministros do STF e do TSE é a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
O presidente reeleito recebeu 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Já Flávio Bolsonaro conquistou 59,8 milhões de votos, correspondentes a 48,21%.



