Secretário do Meio Ambiente da Bahia e enteado de Jaques Wagner, Eduardo Sodré é citado em investigação da PF sobre Banco Master

O secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Mendonça Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT), foi citado em documentos da Polícia Federal (PF) que integram as investigações relacionadas ao Banco Master. Os registros apontam uma rede empresarial ligada ao gestor e a familiares, analisada pelos investigadores.

De acordo com os documentos, Eduardo Sodré é sócio da Sodré Martins Serviços Administrativos Ltda., ao lado do pai, Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Guiga”. Ele também já integrou o quadro societário do escritório Moisés Dantas, Rocha e N’Atharde Advogados Associados.

A esposa do secretário, Bonnie Toaldo Bonilha, aparece como sócia da BN Financeira e da BN Representações. Segundo a PF, os vínculos familiares e societários motivaram uma apuração específica sobre as empresas ligadas ao núcleo familiar.

Um dos pontos destacados pela investigação envolve a BN Representações, registrada em um endereço no centro de Igaporã, no interior da Bahia. Conforme a Polícia Federal, no mesmo local foram identificados outros 20 CNPJs cadastrados pelo mesmo contador, sem histórico de empregados formalmente registrados.

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A BN Financeira também não possuía funcionários registrados, segundo a PF. A empresa foi aberta em julho de 2021, com capital social de R$ 45 mil, e atua na prestação de serviços de informação, correspondente de instituições financeiras e promoção de vendas. Os investigadores ainda identificaram outras empresas no mesmo endereço, compartilhando contador, telefone e e-mail.

Apesar de não figurar atualmente como sócio da BN Financeira, Eduardo Sodré teria mantido contato direto com Augusto Ferreira Lima, então executivo ligado ao Banco Master, para tratar de pagamentos destinados à empresa de sua esposa.

Mensagens obtidas pela PF mostram conversas sobre boletos, notas fiscais, documentos e cobranças de valores pendentes. Em setembro de 2025, Eduardo questionou o executivo sobre a previsão dos pagamentos, recebendo a resposta de que o assunto estava sendo tratado.

As conversas ocorreram durante o período em que o Banco Master buscava concluir uma operação de aquisição pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, mencionada na investigação, as dificuldades financeiras relatadas nas mensagens estariam relacionadas ao insucesso da negociação.

Ainda conforme a PF, em 17 de outubro de 2025, a BN Financeira recebeu uma transferência de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações S.A., empresa dirigida por Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Lima. Os investigadores apontam que a PKL One também mantinha vínculos com o Banco Master.

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