O secretário municipal de Sustentabilidade e Resiliência de Salvador, Ivan Euler, defendeu que obras de infraestrutura e mobilidade do Governo da Bahia sejam acompanhadas de maior transparência sobre impactos ambientais, medidas mitigadoras e compensações previstas. A declaração foi feita ao comentar a divulgação de imagens recentes das intervenções conduzidas pela gestão de Jerônimo Rodrigues (PT), entre elas a implantação do VLT no Subúrbio Ferroviário e a duplicação da Estrada do Derba, a BA-528.
Segundo o secretário, a discussão não deve ser centrada na realização ou não das obras, mas na forma como elas são executadas do ponto de vista ambiental. Ele afirmou que não é contrário a investimentos em mobilidade, mas destacou que as intervenções ocorrem em áreas ambientalmente sensíveis.
“A implantação de infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento da cidade e da região metropolitana. Não sou contra obras de mobilidade, muito menos contra investimentos que possam melhorar a vida das pessoas. O que precisa ser discutido é como essas intervenções são realizadas do ponto de vista ambiental. Estamos falando de uma obra implantada dentro de uma Área de Proteção Ambiental e também em trecho do Parque de Pirajá, duas áreas de enorme importância ecológica para Salvador”, afirmou.
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Ivan Euler pontuou que, como a obra foi licenciada pelo Governo do Estado, por meio do Inema, presume-se a existência de estudos, condicionantes e medidas mitigadoras.
Segundo Euler, não há conhecimento público sobre pontos como ações de resgate e monitoramento da fauna antes da supressão vegetal, quantidade de árvores removidas e compensações exigidas. Ele comparou a situação com procedimentos adotados pela Prefeitura em obras que envolvem retirada de vegetação.
“Quando existe uma obra da Prefeitura que envolve supressão vegetal, procuramos divulgar quantas árvores serão retiradas, qual a compensação prevista e quantas novas árvores serão plantadas. Isso permite que a sociedade acompanhe o saldo ambiental da intervenção”, acrescentou.
Na avaliação do secretário, grandes obras públicas devem incorporar arborização e soluções baseadas na natureza. Ele citou a nova Rodoviária de Salvador, em Águas Claras, como exemplo de intervenção que, segundo ele, poderia ter incluído mais áreas verdes.
“Não podemos permitir que se repitam situações como a da nova Rodoviária de Salvador, uma obra importante para a mobilidade urbana, mas que poderia ter incorporado mais arborização e soluções baseadas na natureza. Hoje temos uma grande área impermeabilizada, com extensas superfícies de concreto e praticamente nenhuma arborização, reduzindo a oferta de sombra, aumentando a absorção de calor e diminuindo o conforto ambiental para os usuários”, afirmou.
Como exemplo de obra de mobilidade que, segundo ele, combinou intervenção urbana e compensação ambiental, o secretário citou o BRT de Salvador. De acordo com Euler, embora a execução tenha exigido supressão vegetal e transplante de árvores, o projeto contemplou um programa de compensação e rearborização.
“O projeto também contemplou um amplo programa de compensação e rearborização. Mais de 6 mil árvores foram plantadas ao longo do corredor e em áreas do entorno, incluindo a região da Rótula do Abacaxi”, declarou.
O secretário também destacou que, além da arborização, o BRT contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ao melhorar a eficiência do transporte público e reduzir o tempo de deslocamento no trânsito. Ele citou ainda intervenções de macrodrenagem associadas à obra.






