Sabor pré-candidato: cada vez mais longe da vice, Geraldo Jr. adota postura discreta em público e modo sobrevivência nos bastidores

Não é de hoje que paira sobre a atuação de Geraldo Júnior (MDB) como vice-governador o peso de precisar – e não depender somente de si – brigar pela permanência na chapa que vai disputar a reeleição em outubro. Geraldo não é unanimidade no governo, e a história se repete quando o assunto é a disputa eleitoral que se aproxima.

A avaliação é de que seu nome tem ficado cada vez mais inviável na chapa do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, que deve ter Rui Costa e Jaques Wagner como candidatos ao senado. Aliás, as dúvidas acerca do nome de Geraldo se intensificaram quando foi derrotado por Bruno Reis na disputa à prefeitura de Salvador. O emedebista ficou, inclusive, atrás de Kleber Rosa, do Psol, amargando apenas 10,33% dos votos válidos.

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Desde então, Geraldo vem tentando se firmar no governo, rezando a cartilha de Jerônimo e evitando conflitos e atritos. A ideia, a princípio, seria viabilizar sua manutenção na chapa e pavimentar a reeleição do filho, Matheus Ferreira, na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Para isso, conta com apoio total e irrestrito do senador Jaques Wagner.

Este, inclusive, demonstrou ser destemido ao afirmar publicamente, contrariando declarações anteriores de Jerônimo, que o vice-governador seria mantido na chapa para disputar a reeleição no pleito deste ano. Depois, tratou de desdizer o que disse. O estrago estava feito. Pior para Geraldo, uma vez que passou a ser questão de autoridade – e honra – para o governador reafirmar que não só a vaga de vice estava em aberto, assim como, também, as do Senado.

No meio desse imbróglio, cresce cada vez mais a fome do PSD e do Avante pela vaga de vice. Pelo PSD, a presidente da Alba, deputada Ivana Bastos, tem o nome cortejado por muita gente, mas já deixou claro que deve seguir à frente da Casa. Otto, presidente estadual do partido, deve deixar a situação quieta, uma vez que conseguiu emplacar, recentemente, Otto Filho como conselheiro no Tribunal de Contas do Estado.

O Avante, porém, não deve desistir tão fácil da vaga. O nome colocado seria o do ex-deputado federal Ronaldo Carleto, presidente estadual da legenda. Há quem diga que Rui Costa tenta, de todas as formas, encaixar Carletto na vice. As ofensivas devem ser cada vez mais constantes, pois um fato novo se tornou público na manhã desta terça-feira e deve trazer novos – e desconfortáveis – contornos para relações internas do governo e na formação da chapa.

Isso porque Geraldo enviou, aparentemente por engano, uma mensagem em um grupo de WhatsApp pedindo que os membros compartilhassem um conteúdo com críticas ao ministro da Casa Civil, Rui Costa. Na mensagem, à qual o site Se Ligue Bahia teve acesso e publicou em matéria, o ex-presidente da Câmara envia o link e escreve: “Manda viralizar”. O link a ser viralizado traz um conteúdo que coloca Rui como mentor do Avante.

A ofensiva de Geraldo Júnior, que foi apagada logo após o envio, seria justamente reação ao fato de que Rui tem, de fato, em Carletto o nome preferido para a vaga de vice.

No meio de toda a confusão, Geddel Vieira Lima, que representa os interesses do MDB, atua incansavelmente para a manutenção do partido na chapa. Sim, por mais que se fale na manutenção de Geraldo, no frigir dos ovos, o partido tem mais interesse na vaga do que na manutenção do candidato em si.

Diante de tudo isso, Geraldo tem feito um contorcionismo de dar inveja a qualquer artista circense para se manter na chapa majoritária e não precisar descer um patamar para tentar a disputa à Câmara dos Deputados, até mesmo podendo interferir na reeleição do filho como deputado estadual. Enquanto não há uma definição, Geraldo segue adotando postura discreta em público.

O vice parece viver no modo “sabor pré-candidato”, meme que se tornou viral nas redes sociais e brinca com a falta de definição do gosto real de um produto. Ou seja, é mas não é. Como diria o próprio Geraldo é “lá e low”, no caso dele, talvez muito mais low do que lá na chapa.

Alguns apostam no chamado suicídio político, mas a verdade é que Geraldo é um articulador experimentado e com habilidade política herdada do pai, o ex-vereador Super Geraldo. Certamente terá condição de se recompor, tal qual fez quando tomou a decisão de trocar o grupo de ACM Neto pelo de Jerônimo Rodrigues.

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