Sem o dinheiro e sem o pé. Esse é o caso do servidor público, identificado como Vanderley dos Santos Gomes, que simulou um roubo e chegou a cortar o próprio pé para tentar receber indenizações que somavam R$ 1,5 milhão, alegando invalidez.
Toda essa história começou em 10 de agosto de 2019, quando o servidor, então com 26 anos, afirmou ter sido vítima de um assalto em Cruz das Almas.
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Vanderley alegou que foi abordado por dois homens, forçado a entrar em um veículo, teve seus pertences roubados e, antes de ser abandonado em uma área rural, teve o pé direito amputado.
Quase sete anos depois, contudo, veio a confirmação de que nunca houve assalto, sequestro ou tortura, como havia sido relatado por Vanderley. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público da Bahia (MP-BA), ele simulou o crime e amputou o próprio pé para receber indenizações que poderiam chegar a R$ 1,5 milhão em razão da invalidez. Isso porque, seis semanas antes do suposto crime, ele havia contratado quatro seguros de vida e acidentes pessoais.
A tentativa de aplicar o chamado “golpe do seguro” resultou em uma condenação de dois anos de reclusão por estelionato. Trata-se de um caso considerado inédito na Justiça brasileira. Até então, já haviam sido registrados episódios em que pessoas mutilaram dedos para tentar receber indenizações, mas nunca um caso envolvendo a amputação de um pé e parte da perna.
A primeira sentença, que condenou Vanderley por fraude em primeira instância, foi proferida em 2024. A defesa recorreu, mas, em 2025, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve a condenação. Com o trânsito em julgado da decisão, ele foi intimado, em maio deste ano, para cumprir a pena. Agora, não há mais possibilidade de recurso.







