Ibitiara: denúncia aponta “veículos fantasmas” e possível desvio milionário na gestão do prefeito Wilson de Bududa

Um suposto esquema de “veículos fantasmas”, com indícios de pagamento por serviços que podem não ter sido prestados, levou os vereadores Dilma Lemos (PT) e Guel do Caldeirão (PT) a acionarem o Ministério Público e a Polícia Federal contra o prefeito Wilson de Bududa. A representação aponta possível desvio superior a R$ 1,6 milhão em contratos de locação de veículos e abastecimento de combustíveis ao longo de 2025, com base em dados oficiais do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA).

Segundo a denúncia, a prefeitura teria pago cerca de R$ 1,37 milhão por veículos locados sem qualquer registro de abastecimento, o que levanta suspeitas de que esses veículos não estavam em operação, apesar de remunerados com recursos públicos.

“Estamos diante de dados objetivos, extraídos de fontes oficiais, que revelam um padrão contínuo de inconsistências. Isso exige investigação rigorosa para esclarecer o destino desses recursos públicos”, afirmou a vereadora Dilma Lemos.

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Segundo o levantamento apresentado, os contratos analisados preveem que o abastecimento dos veículos é de responsabilidade da própria prefeitura. Nesse contexto, a ausência total de registros de combustível para veículos pagos indica, na avaliação dos vereadores, “forte indício de prestação de serviço inexistente”.

Além disso, a representação aponta o movimento inverso: aproximadamente R$ 321 mil foram gastos com abastecimento de veículos sem vínculo contratual com o município, o que pode indicar desvio de combustível ou falhas graves no controle administrativo.

“O cruzamento das informações evidencia que não se trata de erro pontual. Há indícios de um mecanismo estruturado que precisa ser apurado com profundidade pelos órgãos competentes”, declarou o vereador Guel do Caldeirão.

De acordo com os parlamentares, as inconsistências não são isoladas. Os dados indicam que as irregularidades se repetiram ao longo de todos os meses de 2025, reforçando a suspeita de um padrão sistemático.

O documento encaminhado aos órgãos de controle menciona possíveis enquadramentos como peculato, fraude em contrato administrativo, inserção de dados falsos em sistemas públicos e associação criminosa, além de atos de improbidade administrativa por dano ao erário.

Outro ponto denunciado pelos vereadores é o uso de recursos federais, como verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) e do Fundo Especial do Petróleo (FEP), o que motivou o acionamento da Polícia Federal.

Na representação, os vereadores solicitão a abertura de inquérito policial e perícia técnica nos contratos e pagamentos e o encaminhamento ao Ministério Público Federal, caso as irregularidades sejam confirmadas.

“A população precisa saber como o dinheiro está sendo utilizado. Nosso papel é garantir que haja responsabilidade e lisura na gestão pública”, concluiu Dilma Lemos.

Histórico de denúncias em Ibitiara

A nova denúncia se soma a outra representação recente, também encaminhada ao Ministério Público, que já apontava irregularidades na gestão de contratos de veículos no município.

Nesse caso, os vereadores identificaram pagamentos em duplicidade no âmbito do Contrato nº 166/2021, referente à locação de veículos. A análise revelou que a prefeitura chegou a pagar duas vezes pelo mesmo veículo em um único mês, incluindo situações de cobrança simultânea por diária e locação mensal — prática considerada incompatível.

Somente nos episódios analisados, os valores com indícios de irregularidade somam R$ 36.619,33, o que, segundo os parlamentares, representa dano concreto ao erário e falha grave na fiscalização contratual.

Além disso, a administração municipal é alvo de investigação envolvendo outra denúncia, de abril de 2024, que apresentada irregularidades na locação de veículos, máquinas e contratação de trabalhadores terceirizados nas áreas de saúde e serviços gerais. À época, foi apontado que o município da Chapada Diamantina teria gasto mais de R$ 3 milhões em combustíveis com 53 veículos ao longo de 2023, com média de cerca de R$ 5 mil mensais por carro.

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