O psicólogo baiano Manoel Neto, de 32 anos, foi encontrado morto na noite da última terça-feira (17), em sua residência, em Santo Antônio de Jesus, onde morava. No mesmo dia, ele havia utilizado as redes sociais para denunciar um episódio de racismo que afirmou ter sofrido no Camarote Ondina, durante o Carnaval de Salvador.
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Na publicação, Manoel relatou que um folião teria impedido sua passagem ao sair do banheiro do camarote. Ele também mencionou que havia vivido seis dias de intensa alegria durante a folia momesca.
Durante o relato, Manoel também pontuou que teve ótimas trocas com outras pessoas negras que estavam trabalhando no local e afirmou ter sido acolhido de forma muito amigável pelo segurança do recinto, que o apoiou durante o momento de raiva.
“Estava eu voltando do banheiro depois de pegar dois copos de bebida com Rafael, atendente educado, risonho e de um brilho nos olhos impressionante. No caminho — como esperado — muita gente e um tanto de aperto”, escreveu.
“Gentilmente, fui pedindo licença e passando por todos, desejando feliz Carnaval. Até que um homem branco fechava a passagem — não posso dizer que o fez de propósito — até que eu perguntei: ‘irmão, posso passar?’. Então ele projeta o corpo ainda mais, impedindo a passagem do meu corpo. Toco nas suas costas e repito a pergunta: ‘posso passar?’. Ele vira, olha nos meus olhos e mantém sua postura”, relatou.
Em seguida, destaca o fato de ser um homem negro e de sentir que o tipo de pessoa em questão só respeita sua agressividade e não sua cordialidade.
“Forço a passagem e, olhando no rosto dele, digo furiosamente: ‘você vai me deixar passar? Quando eu pedi para passar, você deixa eu passar. Você não está me vendo? Ou eu vou ter que enfiar a mão na sua cara?’. E, como em um passe de mágica, eu consigo passar. Eles respeitam nossa raiva; todo o resto é desumanidade. Começo uma discussão. Outras pessoas brancas de boa-fé separaram e me acolheram”, lamentou o psicólogo.
Sobre Manoel
Manoel Neto era psicólogo, atuante na área da psicanálise, e mestrando em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Natural de Amargosa, era reconhecido pelo trabalho profissional e pelo vínculo próximo com a comunidade, ele deixa um legado marcado pelo cuidado e dedicação às pessoas acompanhadas ao longo de sua carreira. Sua atuação era referência local e ressaltava o compromisso com o bem-estar emocional dos pacientes.
O velório aconteceu nesta quarta-feira (18), na Santa Casa de Misericórdia de Amargosa, e o sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal da cidade. Familiares e amigos prestaram homenagens e se despedem neste momento de dor.
Se você está passando por um momento difícil ou precisa de apoio emocional, entre em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) ligando para 188.






