Falta de salva-vidas deixa praias de Camaçari em risco; 116 pessoas já se afogaram

Ir ao mar em Camaçari tem se tornado cada vez mais perigoso diante da falta de salva-vidas nas praias do município. Em apenas um mês, foram registrados 116 casos de afogamento na Costa de Camaçari, segundo dados da Associação dos Guarda-Vidas de Camaçari (AGMAC). 

Em entrevista ao portal Mais Região, o presidente da entidade, Edevaldo Neto, atribuiu o aumento das ocorrências ao déficit de profissionais responsáveis pela segurança nas praias da cidade e alertou que o número de acidentes pode aumentar devido à redução no efetivo de salva-vidas.

Segundo Edevaldo, seriam necessários cerca de 200 profissionais para garantir a segurança adequada nos 42 quilômetros de faixa costeira da cidade, que compreendem seis praias bastante frequentadas por moradores e turistas.

“Para você ter uma ideia, foram desativados vários postos entre Arembepe, Guarajuba, Barra do Jacuípe e Itacimirim. O que mais preocupa são os sete postos que funcionavam em Jauá, uma das praias mais movimentadas de Camaçari e com maior registro de afogamentos”, disse o presidente da AGMAC ao portal Mais Região.

Ainda de acordo com a reportagem, dados da própria AGMAC apontam que, entre os dias 6 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, além dos 116 afogamentos, foram contabilizadas três mortes, 260 ações de prevenção e três ocorrências envolvendo crianças perdidas, que posteriormente foram devolvidas aos responsáveis legais.

“A quantidade de pessoas na Costa só está aumentando. O número de afogamentos cresceu 85% e o prefeito não faz nada”, explicou.

Edevaldo Neto afirmou ainda que foi surpreendido, na manhã desta terça-feira (06), com a contratação de 4 pessoas sem treinamento ou qualificação para atuar como salva-vidas. Segundo ele, as admissões teriam ocorrido por indicação política do vereador do PDB de Camaçari, João Dão, que o teria proibido de entrar no posto do Salvamar, localizado na praia de Arembepe.

“Ele disse publicamente, em reunião com todos os salva-vidas, que eu estou proibido de entrar nesse posto. Isso tudo porque a maioria das indicações é dele, e ele não quer que eu denuncie.”

De acordo com o presidente da AGMAC, a contratação desses profissionais terceirizados fere cláusulas contratuais que exigem, no mínimo, 120 horas de formação para atuação nas praias do município. Ele destacou ainda que o documento utilizado como base para o processo licitatório é de 1997 e que, em quase 30 anos, nunca passou por atualização.

Edevaldo Neto também informou que os salva-vidas desligados durante a gestão do prefeito Luiz Caetano (PT) estão trabalhando como diaristas em condomínios privados da Costa de Camaçari, recebendo cerca de R$ 150 por dia, sem benefícios ou garantias trabalhistas.

Segundo ele, atualmente os profissionais são representados pelo sindicato dos Bombeiros Civis, que, conforme relatado, não realiza a fiscalização das empresas terceirizadas responsáveis pelo serviço.

“Estamos pedindo socorro, porque a maioria não pode se manifestar por medo de perder seus empregos e acabar como nossos colegas, atuando sem nenhuma garantia”, finalizou.

Confira os últimos destaques do dia

A reportagem do Noticiário Baiano entrou em contato com a Prefeitura de Camaçari, mas não obteve retorno.

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