Estudo do Dieese prevê risco de 2,2 milhões de empregos com cortes de gastos em eventual governo Flávio Bolsonaro

Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta quinta-feira (22), estima que cerca de 2,2 milhões de postos de trabalho podem ser eliminados caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições e implemente um corte de aproximadamente R$ 200 bilhões nas contas públicas. O levantamento foi elaborado a pedido de centrais sindicais.
Segundo o estudo, um eventual ajuste fiscal também poderia retirar R$ 68 bilhões da renda dos trabalhadores brasileiros já em 2027. O impacto negativo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) chegaria a R$ 203,1 bilhões, equivalente a uma redução de 1,55% em relação ao cenário sem os cortes.
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A análise considera um ajuste de R$ 194 bilhões ao longo de 18 meses, com R$ 116,9 bilhões em cortes no primeiro ano. De acordo com o Dieese, a medida poderia afetar o consumo das famílias, a geração de empregos e o financiamento de serviços públicos, com risco de recessão a depender do desempenho da economia.
Nas projeções do levantamento, mesmo no cenário mais favorável, o crescimento econômico em 2027 seria de 0,91%, abaixo dos 2,46% previstos inicialmente no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Já no cenário pessimista, que parte de uma estimativa de crescimento de 1,4% antes dos efeitos do ajuste, o PIB registraria retração de 0,15%.
Nesse cenário, o número de desempregados poderia subir de 5,8 milhões para 7,4 milhões, com a taxa de desocupação chegando a 7%. O estudo também estima que o país precisaria criar cerca de 1,33 milhão de empregos por ano para acompanhar o crescimento da população economicamente ativa, patamar que, segundo as projeções, não seria alcançado nem no cenário mais favorável de cortes.



