Especialistas apontam quando a obesidade deve ser tratada em clínicas especializadas; um a cada três brasileiros vive com sobrepeso

Em entrevista recente ao Noticiário Baiano, o ex-comandante do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, coronel Adson Marchesini, falou sobre sua luta contra a depressão e a obesidade. O coronel relatou, inclusive, ter vivido uma experiência negativa durante uma visita a uma clínica especializada para perda de peso. 

Em seu relato, Marchesini disse que é uma pessoa “hiperativa” e “agoniada” para realizar o tratamento em uma clínica do tipo. A partir do relato, a reportagem do NB ouviu especialistas para esclarecer em quais situações o tratamento em clínicas especializadas é indicado.

A nutricionista Thalita Cáceres explica que se trata de uma doença complexa, com múltiplas origens. Segundo o mais recente  levantamento do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, um a cada três brasileiros vive com obesidade. 

O relatório mostra que no Brasil, 68% da população tem excesso de peso e, dessas, 31% têm obesidade e 37% têm sobrepeso. Os dados estimam que, se nada mudar, quase metade da população adulta brasileira (48%) será obesa e outros 27% terão sobrepeso até 2044.

“Por isso, um tratamento realmente eficaz precisa atuar em diferentes frentes, a partir de uma análise profunda desses fatores, para que o resultado seja duradouro. Isso exige uma abordagem transdisciplinar, com profissionais de diferentes especialidades trabalhando de forma integrada”, disse Thalita Cáceres

Segundo a especialista, o tratamento em clínicas especializadas vai além da perda de peso, com foco em preparar o paciente para sustentar mudanças no estilo de vida após o término do programa.

“Costumo dizer que o peso é apenas um dos sintomas da obesidade. Trata-se de uma doença que se instala ao longo de muito tempo e pode comprometer a autonomia motora, afetar a saúde emocional e impactar diretamente a rotina, os relacionamentos e a dinâmica familiar”, explicou.

Quando a obesidade se torna um problema de saúde?

O nutricionista Daniel Machado destaca que muitos pacientes não percebem a obesidade como um problema de saúde nos estágios iniciais e só se dão conta da gravidade quando passam a sentir falta de ar, cansaço excessivo ou dificuldades de locomoção.

“A obesidade vai muito além do peso na balança. Atualmente, a avaliação da obesidade não deve se basear exclusivamente no índice de massa corporal (IMC). Outros parâmetros clínicos, funcionais e metabólicos são fundamentais para indicar risco e necessidade de acompanhamento profissional”, disse.

Tratamento da obesidade

Os dois nutricionistas ouvidos pelo Noticiário Baiano afirmam que o tratamento da obesidade deve sempre partir de uma abordagem multidisciplinar, especialmente nos casos de obesidade moderada a grave.

“O foco do tratamento deve estar na mudança de estilo de vida e comportamento, e não apenas na perda de peso rápida. O grande diferencial do tratamento bem-sucedido da obesidade não é fazer o paciente emagrecer, e sim ajudá-lo a manter esse peso perdido ao longo do tempo”, explicou Daniel Marchado ao falar sobre os objetivos de um tratamento especializado.

A nutricionista Thalita Cáceres detalhou como funciona o início do acompanhamento em uma clínica especializada.

“Logo no início, o paciente passa por avaliações físicas e motoras com médicos e fisioterapeutas, recebe suporte para o tratamento do sono, que é extremamente relevante na obesidade, e pode contar com outros profissionais conforme a necessidade”, afirmou.

Quando a internação é indicada?

O nutricionista Daniel Marchado, ressaltou que nem todos os casos de obesidade exigem internação e que o tratamento é indicado apenas em situações específicas.

“Ela pode ser indicada apenas em situações muito específicas, como: risco iminente à vida, complicações clínicas graves, incapacidade funcional extrema, falha de múltiplas tentativas de tratamento ambulatorial, após avaliação criteriosa”, pontuou.

Thalita Cáceres destaca que o tratamento da obesidade por internação hospitalar não é apenas um tratamento para perda de peso: “ele é um tratamento para recuperar saúde, funcionalidade e qualidade de vida, construindo uma nova forma de viver”.

Diante do que foi exposto pelos dois profissionais da área de nutrição, fica clara a importância da atuação das clínicas especializadas no tratamento da obesidade. No entanto, é fundamental que os pacientes tenham acompanhamento médico individualizado para receber as orientações adequadas.

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