Equipe de Lula ouviu nos EUA que Trump não autorizou diálogo da Casa Branca com o Brasil

Uma delegação de senadores brasileiros embarca nesta sexta-feira (25) para os Estados Unidos com a missão de abrir um canal de diálogo e tentar conter os efeitos do possível tarifaço que o presidente americano Donald Trump ameaça impor ao Brasil a partir de 1º de agosto. A movimentação ocorre em meio a um clima de apreensão e resistência diplomática por parte da Casa Branca, que, segundo interlocutores do governo Lula, não autorizou qualquer abertura de diálogo com representantes brasileiros.

A informação foi repassada à equipe de Luiz Inácio Lula da Silva, que está em Nova York, por fontes ligadas à diplomacia americana. Segundo relatos ouvidos pelo blog da jornalista Andréia Sadi, o entorno de Trump tem evitado tratativas formais com o Brasil, mesmo após contatos feitos com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick — diálogo revelado na última quinta-feira (24) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

Apesar da tentativa de contato, o recado ouvido pelos negociadores é claro: qualquer decisão sobre o tema está centralizada exclusivamente no presidente Trump. Em declaração pública durante evento em Minas Novas (MG), Lula afirmou: “Trump não quer negociar”.

Clima de tensão diplomática

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, que está nos EUA em missão junto à ONU, também relatou a aliados conversas com autoridades locais. Segundo ele, o ambiente entre diplomatas e assessores é de “medo e apreensão”, reforçando que ninguém se arrisca a contrariar as diretrizes impostas por Trump, que tem assumido pessoalmente o controle das decisões comerciais.

Mesmo com o cenário adverso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), sustenta que a comitiva brasileira não pode se omitir. “O tempo é curto, mas precisamos estar presentes nos Estados Unidos para, no mínimo, tentar adiar a entrada em vigor do tarifaço e reabrir o diálogo bilateral”, afirmou.

O senador destacou a necessidade de entender melhor as reais motivações do governo americano: “Queremos esclarecer o que exatamente os EUA desejam negociar. Não há clareza sobre os limites impostos por Trump — se a barreira é política, por causa de Bolsonaro, ou se envolve temas como a moeda dos Brics ou o Irã”, disse Trad.

Pressão e boicote interno

A missão, no entanto, já enfrenta resistência. De acordo com parlamentares, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo estariam agindo nos bastidores para dificultar os encontros dos senadores em Washington e impedir reuniões com representantes do governo Trump. A movimentação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é vista como tentativa de esvaziar a influência da delegação brasileira nas negociações.

Agenda da comitiva

A maioria dos senadores brasileiros deve chegar aos EUA entre sexta-feira (25) e sábado (26). A agenda oficial terá início no domingo (27) com reuniões preparatórias. Na segunda-feira (28), os parlamentares serão recebidos na embaixada do Brasil em Washington, e também se encontrarão com representantes da Amcham – Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

Na terça-feira (29), a comissão se dirige ao Capitólio, onde estão previstas reuniões com senadores e deputados americanos, em uma tentativa de sensibilizar o Congresso dos EUA sobre os impactos comerciais e diplomáticos de um eventual aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.

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