CV domina mais de 15 bairros de Salvador; possível retaliação após operação no RJ aterroriza moradores

O domínio do Comando Vermelho (CV) em Salvador se consolidou e é preocupante. Atualmente, mais de 15 bairros têm domínio da facção criminosa com raízes no Rio de Janeiro. Bairros como Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas, Santa Cruz, Chapada do Rio Vermelho, Cosme de Farias, Saramandaia, Engomadeira, Alto das Pombas, Liberdade, Mussurunga, Iapi, Sussuarana, Tancredo Neves e Vila Laura estão sob o controle da facção carioca. O grupo criminoso também estendeu sua influência para municípios da Região Metropolitana, como Lauro de Freitas, especialmente em Portão, Areia Branca e Capelão.

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O professor de Direito Penal e Processual Penal Luciano Bandeira Pontes, especialista em segurança pública, descartou, em entrevista ao bahia.ba, a possibilidade de uma retaliação do grupo na capital baiana após a megaoperação realizada no Rio de Janeiro. Os moradores dos bairros dominados pelo CV, porém, temem alguma atitude.

A presença do CV na Bahia teve início há cerca de cinco anos, quando o extinto Comando da Paz (CP) se associou à facção carioca. O pacto foi celebrado com fogos no céu do Complexo do Nordeste, que engloba os bairros de Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Chapada do Rio Vermelho. Com o domínio consolidado, o CV passou a reproduzir práticas típicas do crime organizado fluminense, como a extorsão de comerciantes e prestadores de serviços.

“Hoje o CV já dominou grande parte do território da Bahia. Um confronto agora só traria mais atenção policial e poderia comprometer os lucros”, destacou o especialista.

Para o professor, a ausência do Estado em áreas vulneráveis tem permitido o avanço das facções e colocado a Bahia em uma posição pouco animadora. “A Bahia já é um narco-Estado. Primeiro porque é o estado do Brasil com o maior número de facções atuando. Alguns números apontam 23 facções, outros 21. É um estado grande, com um déficit operacional de 15 mil homens da Polícia Militar e pouca presença nas fronteiras e rodovias”, afirmou.

Para ele, reverter esse quadro exige medidas estruturais e uma nova postura do Estado. “É preciso cortar o braço financeiro das facções, retomar as empresas usadas para lavagem de dinheiro e recuperar os territórios. O Estado precisa mostrar força. Não se pode permitir que uma organização criminosa tome o controle que deveria ser do Estado”, concluiu.

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