Coluna: Posicionamento político define caráter?

Há dias, um card que vi aqui no Instagram vai e volta na minha cabeça. Ele era afirmativo: “Posicionamento político define caráter”. O texto, do qual não me lembro da autoria, era ainda mais enfático, pois, se o sujeito divergisse, não faria sentido a manutenção sequer de uma amizade. Não digeri isso ainda.

Aliás, essa polarização política débil que o Brasil vive é muito difícil de digerir. Como dizia minha antiga terapeuta: é como comer uma rabada e andar de bicicleta depois. Ninguém mais tem estômago para ouvir o diverso ou deixar as diferenças de lado para conviver com o que dá.

Porque, na minha cabeça, às vezes dá. Podemos votar diferente, mas gostar da mesma comida, dos mesmos programas e séries. Concordar parcialmente e conversar de maneira saudável. Enfim, respeitar-nos. O que não dá é para acabar com os eventos familiares porque não se suporta ouvir o diferente. Em toda publicação que a gente vê na internet, tem um idiota fazendo piada com os políticos do Brasil, enquanto a maioria deles enche os bolsos e a gente que se lasque.

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É importante lembrar que a definição de caráter não é fechada. Ela é endossada pelas experiências do sujeito e pode mudar ao longo dos anos. A expressão “caráter flexível” nunca fez tanto sentido para mim depois de ter lido aquele post. Porque eu tenho amigos que divergem de mim, e que bom que os tenho. Nem que eles me sirvam para eu saber quem eu não quero ser até determinado ponto.

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