A Páscoa só ocorre no início de abril, mas os consumidores podem se animar com os preços médios do período que a antecede. Uma lista com 11 itens selecionados pela Fecomércio BA —com base no IPCA-15 do IBGE e tradicionalmente procurados durante a data— registrou queda média de 2,84% nos preços, considerando o acumulado de 12 meses. O resultado contrasta com a média geral da RMS – Região Metropolitana de Salvador, que teve alta de 3,31%, e ficou abaixo dos 0,84% registrados para essa mesma cesta pascal no ano passado.
Confira os últimos destaques do dia
O comércio, especialmente os supermercados, deve se beneficiar da data. Segundo projeção da Federação, as vendas devem crescer 3% em abril, alcançando R$ 7,6 bilhões. Já o desempenho específico das lojas de chocolate não pode ser isolado, pois elas estão incluídas no grupo Outras Atividades, cuja expectativa de crescimento é de 1,5%.
As condições econômicas das famílias da região estão mais favoráveis, com inflação mais moderada, mercado de trabalho aquecido e maior acesso ao crédito, o que sustenta o consumo, sobretudo de itens básicos. “Com a queda nos preços de parte dos insumos da refeição de Páscoa, o momento tende a ser mais tranquilo para as compras. A principal atenção deve ficar nos chocolates, mas a variedade de tamanhos e sabores permite manter a tradição sem comprometer o orçamento”, destaca o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes.
“Os alimentos que compõem a lista de compras para o prato típico da Páscoa, à base de pescado, apresentam, em sua maioria, queda de preços em um ano. Os destaques são o alho e o arroz, com reduções quase idênticas de 26,87% e 26,81%, respectivamente. O alho, inclusive, havia registrado alta de 36,62% no ano passado”, destaca o consultor econômico da Fecomércio BA, Guilherme Dietze.
Entre as quedas, destacam-se o tomate (-24,04%) e o azeite de oliva (-18,24%). No mesmo período de 2025, porém, o azeite havia subido 17,55%, pressionado por uma safra negativa na Europa, importante região produtora. Também registraram recuo a cebola (-14,63%) e o ovo de galinha (-3,23%). Já os pescados tiveram leve alta média de 2,34%, abaixo dos 5,51% registrados em 2025. Apesar do aumento, a variedade no mercado permite ao consumidor buscar opções em promoção ou mais frescas. Entre os demais itens, os panificados subiram 4,03%, e a azeitona registrou alta de 7,2%. Guilherme alerta que o destaque negativo, como no ano passado, fica por conta dos chocolates. “Os preços de chocolates em barra e bombons subiram, em média, 24,33%, enquanto o chocolate em pó e o achocolatado tiveram alta de 17,56%. No mesmo período de 2025, as variações foram de 14,6% e 15,91%, respectivamente”, diz o especialista.
“Na época, a alta foi impulsionada pelo forte aumento do cacau no mercado internacional, causado por problemas na safra africana. Apesar de os preços da commodity terem recuado posteriormente, a redução ainda não se refletiu nos valores ao consumidor”, destaca o consultor econômico. Dessa forma, tanto consumidores quanto empresários que utilizam chocolate na própria produção devem sentir os efeitos dos preços elevados. Nesse cenário, a pesquisa de preços torna-se essencial para encontrar o melhor custo-benefício. Por uma limitação do IBGE, não há dados sobre a variação de preço do ovo de Páscoa, por se tratar de um produto sazonal. Ainda assim, com o chocolate mais caro e custos pressionados por logística, embalagem e exposição nos supermercados, a tendência é de aumento acima da média da região.






