O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou nesta sexta-feira (18) que os US$ 14 mil em espécie encontrados pela Polícia Federal em sua residência, em Brasília, durante operação de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), seriam destinados a uma possível viagem futura. O valor, conforme confirmado pela PF, foi apreendido durante o cumprimento de mandado judicial no âmbito de uma nova investigação.
Apesar da justificativa, Bolsonaro está impedido de sair do país desde 2023, por decisão judicial que determinou a retenção de seu passaporte. “Esse dinheiro foi sacado ao longo dos meses. Você não vai fugir apenas com 14 mil dólares. Estou com passaporte apreendido há dois anos”, afirmou o ex-presidente em entrevista à rádio BandNews FM. “Não cogitei fugir para lugar nenhum”, completou.
Ao comentar a apreensão, Bolsonaro destacou que não é crime manter valores em espécie. “Tenho um bom montante no banco. Em havendo uma fuga, ele seria bloqueado”, afirmou, tentando afastar qualquer suspeita de que a quantia pudesse estar relacionada a um eventual plano de evasão do país.
Pen drive no banheiro
Durante a mesma entrevista, Bolsonaro também comentou o achado de um pen drive em seu banheiro, encontrado por agentes da Polícia Federal durante a ação. Segundo ele, não tinha conhecimento do dispositivo. O ex-presidente relatou que, ao ser acordado pelos policiais por volta das 7h, autorizou a entrada da equipe e que uma das agentes, com um corte no dedo, pediu para usar o banheiro. Pouco depois, segundo sua versão, a policial teria saído do local com um pen drive nas mãos.
“Nunca abri um pen drive na minha vida”, disse Bolsonaro. A origem e o conteúdo do dispositivo ainda não foram revelados pela PF.
Restrições e desabafo
O ex-presidente também comentou as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno e a proibição de manter contato com outros investigados, incluindo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente reside nos Estados Unidos.
“Lamento muito não poder falar com meu filho”, disse. Ele ainda se disse alvo de perseguição política: “Estou com 70 anos. Não tenho medo de mais nada. Mas me sinto vítima de uma grande injustiça”.
As declarações de Bolsonaro ocorrem em meio a mais uma fase de apurações envolvendo sua atuação pós-presidência e possíveis tentativas de obstrução à Justiça. A defesa do ex-presidente já divulgou nota afirmando que recebeu “com surpresa e indignação” as medidas cautelares impostas e que irá se manifestar após o acesso integral à decisão judicial.






