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Após detectar indício de irregularidade, TCU recomenda que Câmara apure viagem de Eduardo Bolsonaro

Por Rafael Albuquerque•
Após detectar indício de irregularidade, TCU recomenda que Câmara apure viagem de Eduardo Bolsonaro
Reprodução / Agência Brasil
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O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou à Câmara dos Deputados a abertura de uma investigação com objetivo de apurar o possível uso irregular de recursos públicos pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante viagem aos Estados Unidos.

A recomendação foi divulgada nesta sexta-feira (9), após o TCU analisar uma representação feita pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP). O órgão avalia que há indícios de que a estadia do parlamentar no exterior pode ter sido financiada com dinheiro público, direta ou indiretamente.

Apesar da recomendação, o TCU destacou que não tem competência para julgar o caso, por envolver possível infração penal e questões ligadas à separação entre os Poderes. Por isso, encaminhou a denúncia à Câmara e ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando o envio das conclusões e eventuais providências adotadas.

Na representação, Boulos alega que Eduardo Bolsonaro cometeu crime ao manter contatos com governos e grupos estrangeiros com o objetivo de articular ações hostis ao Brasil. Segundo ele, isso configuraria atentado à soberania nacional, com pena prevista de três a oito anos de prisão, conforme o Código Penal.

Outro ponto apontado pelo TCU é que o deputado justificou apenas uma das cinco faltas a sessões da Câmara em março, período em que já estava nos Estados Unidos. Como não havia pedido licença parlamentar, as demais ausências podem configurar infração administrativa. No entanto, o tribunal não abriu investigação direta por considerar que o prejuízo estimado — inferior a R$ 120 mil — não atinge o valor mínimo necessário para apuração pelo órgão.

Se o caso for levado adiante pela Câmara, será a segunda investigação formal envolvendo a viagem de Eduardo Bolsonaro. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou o inquérito que apura se o deputado teria articulado, no exterior, ações contra instituições brasileiras.