Apoio de Trump pode ser obstáculo em 2026, aponta pesquisa Ipespe
Uma parcela significativa da população brasileira vê com reservas a influência do ex-presidente norte-americano Donald Trump na política nacional. Segundo a mais recente edição da pesquisa Pulso Brasil, conduzida pelo Instituto Ipespe e divulgada nesta quinta-feira (25), 53% dos brasileiros acreditam que o apoio ou a associação com Trump tende a prejudicar um candidato nas eleições presidenciais de 2026.
A percepção negativa sobre a aliança com o republicano cresce em meio às recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Trump anunciou um aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros, o que reacendeu o debate sobre os efeitos políticos e econômicos desse posicionamento.
Apesar disso, 32% dos entrevistados veem a associação com Trump como positiva, enquanto 14% disseram não saber ou preferiram não opinar.
A pesquisa também mediu a aprovação da resposta do governo brasileiro à medida norte-americana. Metade da população (50%) aprovou a postura adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 46% desaprovaram e 5% não souberam responder.
Quando analisadas as figuras políticas individualmente, Lula aparece como o mais bem avaliado entre os entrevistados: 50% aprovam suas atitudes e declarações. Em seguida estão o vice-presidente Geraldo Alckmin (42%) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (38%). O ex-presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, mantém o apoio de 32% da população, índice semelhante ao do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O levantamento do Ipespe foi realizado em um contexto de polarização política e econômica, com impactos diretos nas articulações para 2026. A percepção de que a aproximação com Trump pode ser um fator de desgaste político pode influenciar a estratégia de figuras da oposição que já ensaiam uma possível candidatura.
A pesquisa traz à tona, mais uma vez, o papel da política internacional no cenário eleitoral brasileiro e revela que, ao menos por ora, o capital político de Trump parece ter mais peso negativo do que positivo entre os eleitores do país.






