Anteriormente proibido, o cultivo da cannabis foi aprovado nesta quarta-feira (28) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Agora, empresas, universidades e associações de pacientes (pessoas jurídicas) poderão fazer o cultivo da cannabis medicinal no Brasil. Há de ressaltar que o plantio continua vetado para a população em geral.
Para entender melhor os desdobramentos deste avanço, o Noticiário Baiano conversou com Leandro Muricy Stelitano, presidente da Associação Cannab (Associação para pesquisa e desenvolvimento da Canabbis Medicinal no Brasil), com sede em Salvador, para entender o que muda a partir desta nova resolução e os impactos específicos dessa decisão para a Bahia.
Entre as melhorias, Leandro ressaltou a importância nacional com a nova medida e a diminuição do preço do óleo: “Foi uma decisão histórica da Anvisa, autorizando o cultivo no Brasil para empresas, para fins de pesquisas científicas e para as associações. Uma resolução exclusiva para o cultivo através das associações, que com isso vai deixar de importar a medicação. Vamos cultivar em solo brasileiro e o preço do óleo para os milhões de pacientes que necessitam do tratamento com a cannabis terapêutica tende a diminuir, tendo um preço justo e que a gente possa atender a população que não tem poder aquisitivo”, avaliou.
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Com isso, segundo o presidente da associação, o Brasil poderá iniciar o seu próprio cultivo: “O que muda a partir de agora é que o órgão competente no Brasil em questão de saúde, que é a Anvisa, legitimou o cultivo através das associações. Então, a partir de agora, a gente vai estar cultivando e produzindo nosso óleo para os nossos mais de 3 mil associados aqui, pacientes associados na Bahia. Então, com isso, a partir de agora, assim que a Anvisa divulgar toda a resolução em diário oficial, a gente estará apto para começar o nosso cultivo e estar fornecendo o óleo para os nossos pacientes associados”, comentou.
Durante a conversa, foi relatado que, com o novo prognóstico, o Brasil possivelmente irá se tornar um dos maiores produtores de cannabis do mundo: “Uma lei e uma resolução nunca nascem totalmente prontas, mas a princípio essa resolução da Anvisa nos contempla. As associações estão contempladas na resolução. Vai abrir um mercado no Brasil, onde esse mercado hoje já produz bilhões em relação ao uso da cannabis. Então, o Brasil entra agora no mercado da cannabis medicinal e vai abrir portas para produzir no Brasil. Então, o Brasil, além de cultivar em território nacional, vai poder também exportar e se tornar um dos maiores produtores de cannabis do mundo”, estimou.
Questionado para o olhar regional, mais precisamente a Bahia, Leandro afirmou que o estado está totalmente preparado para conquistar vôos maiores: “Nós da Associação Canabbia aqui em Salvador estamos preparados para cumprir todos os itens da resolução da Anvisa. Inclusive participamos juntos de toda a construção com a Anvisa, junto com o governo, com os órgãos competentes. Construímos toda essa resolução juntos, tivemos a honra de estar construindo juntos com a Anvisa. Então já estamos preparados aqui na Bahia para poder estar cultivando e produzindo o remédio para os nossos associados”, revelou.
Por fim, citou que há projetos de alunos da UFBA e da FAPESB, através do governo, para iniciar os trabalhos: “Eu vejo que a Bahia está pronta através das universidades. Tem a UFBA que está fazendo isso, a gente tem parceria com eles, no curso de farmácia. Tem uma liga acadêmica que já fala sobre cannabis. A gente já teve a oportunidade de ir em diversos encontros com essa liga. Então, eu vejo que as universidades estão prontas e só estavam guardando essa autorização e essa resolução da Anvisa para produzir pesquisa. E aqui na Bahia também a gente tem a FAPESB, que é o órgão do governo do estado que produz pesquisa. A gente também já teve algumas vezes conversando e agora teremos a legitimidade e autorização para buscar fazer parceria com esses órgãos e produzir pesquisas através do banco de dados dos nossos pacientes associados”, concluiu.






