Advogado relata rapidez na ação de golpistas em Salvador: “duas horas após dar entrada na ação”

Uma situação narrada pelo advogado Leonardo Martinez, especialista em Direito Médico e da Saúde, chamou bastante atenção na última semana. Em sua conta do Instagram (@leomartinez.direitodasaude), Martinez narrou em detalhes uma tentativa que seu cliente sofreu do chamado golpe do falso advogado.
Trata-se de um golpe que vem crescendo em todo o País e que tem preocupado a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Nessa modalidade, os criminosos usam usando informações reais de processos judiciais para enganar pessoas que aguardam decisões na Justiça.

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A estratégia é simples e pode fazer um grande estrago na vida das vítimas. Os golpistas entram em contato pelo WhatsApp ou outro meio, se passando pelo advogado da vítima ou por alguém do escritório, informando que o processo foi finalizado e que existe um valor a ser liberado. Ou, então, dizem que dependem de determinada quantia para dar prosseguimento em uma etapa importante da ação.
Eles usam dados verdadeiros do processo, como número da ação, nome das partes e até o valor aproximado da causa.

Leonardo Martinez relatou que ficou surpreso não com o golpe em si, que está cada vez mais comum. Mas com a rapidez com que houve a tentativa de aplica-lo.

“Dei entrada em ama ação de uma pessoa pública. O valor da causa era em torno de R$ 200 mil. O que me causou surpresa é que pouco mais de duas horas depois de eu ter dado entrada na ação os golpistas entraram em contato com meu cliente se passando por mim, pedindo transferência de valores”, afirmou.
Martinez disse ter tomado as providências cabíveis e deixou um conselho aos clientes: “fiz o registro na polícia. Acessei o processo judicial e verifiquei que constam os nomes de duas pessoas que acessaram o processo, documentei e juntei ao registro na delegacia. Fiquem atentos, não passem informações e não façam pagamento”.

O que diz a OAB-BA

O Noticiário Baiano consultou Tamíride Monteiro, presidente da Comissão Permanente de Tecnologia e Informação da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Bahia, para saber o posicionamento da entidade em relação aos referidos golpes.

“A OAB Bahia já fez uma cartilha bastante detalhada, inclusive foi matéria do Fantástico, sobre golpe do falso advogado. Mas é bom explicar que não é só o advogado que sofre. A maior vítima dessa situação é o cliente do advogado, que muitas vezes se transfere via Pix. Então, hoje o governo já tem um mecanismo de acionar ao Banco Central quando ele for vítima de golpe”, destacou em entrevista ao NB. Tamíride destacou que é importante que o advogado também registre queixa na polícia.

Questionada sobre a rapidez com que os criminosos conseguiram os dados e sobre a o acesso a essas informações nos sistemas eletrônicos da Justiça, a presidente ponderou: “sobre o acesso dessas pessoas duas horas após ele distribuir, isso realmente é estranho. Mas como deve ser processo público, alguém teve acesso. E todos os dados que tem ali, né, e com toda planilha de dados que hoje o Brasil tem, já era. Então, eles conseguem pelo nome da pessoa, pelo CPF, conseguem o telefone e ter acesso, por exemplo, ao valor do processo e pedir o dinheiro, por exemplo, dizendo que é causa ganha”.

Tamíride Monteiro reitera que a recomendação é tomas as medidas administrativas e judiciais cabíveis: “A recomendação é a denúncia à OAB, ir à delegacia de polícia, fazer o boletim de ocorrência, porque é preciso a gente desmontar esse esquema”. Outro ponto importante é a comunicação clara entre advogado e cliente. “Sempre avisar, seja em rede social, e o advogado manter um número fixo sempre e avisar sempre que não façam transferências, e que vai ter só um número de contato. Isso é praticamente uma dinâmica de gestão”, pontuou a presidente da Comissão Permanente de Tecnologia e Informação da OAB-BA.

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