Comecei tentando ler como se nunca tivesse tido acesso àquelas informações. Fiquei entediada, porque não só tinha, como aperfeiçoei várias. Ironicamente, o livro é sobre como expandir a percepção e a dinâmica cerebral envolvida nisso. Só que de lá pra cá me especializei em Neurociências e Comportamento, e agora faço Neuropsicologia. Aquelas informações não tinham mais graça pra mim.
Então pulei para minhas anotações. Sim, às vezes eu vandalizo o livro quando ele é técnico, rabiscando e colando post-its. Fui para as páginas onde tinham essas sinalizações e percebi o quanto tudo aquilo entrou e ficou em mim.
Fiquei surpresa como o que nós temos acesso FICA mesmo dentro da gente. Não é chatice quando especialistas falam que determinados conteúdos moldam o nosso comportamento. Por isso é grave a permanência em lugares e situações que não nos agradam por muito tempo. A gente come mesmo os farelos dos porcos.
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Mas a boa notícia é que o contrário também acontece. Livros, conversas, experiências, pessoas e ambientes que nos nutrem deixam marcas silenciosas. Nem sempre percebemos quando estão nos transformando, mas um dia nos encontramos diante de uma página antiga e percebemos que ela já faz parte de quem somos.
Talvez crescer seja justamente isso: esquecer de onde veio o aprendizado porque ele deixou de ser algo que sabemos para se tornar algo que somos.





