Mais de 56% das crianças baianas começaram a usar telas antes dos oito anos, aponta pesquisa

Uma pesquisa da AtlasIntel, em parceria com o Jornal A TARDE, revelou que mais de 56% das crianças baianas começaram a usar telas antes dos oito anos de idade. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (11), aponta que 23,7% tiveram contato regular com celulares e outros dispositivos antes dos 6 anos, enquanto 32,4% iniciaram entre os seis e oito anos.

Os dados também mostram que 55,7% dos menores já possuem aparelho próprio, índice que sobe para 73,8% entre adolescentes de 14 a 17 anos. Segundo a pesquisa, irritabilidade (46,2%), ansiedade (44,5%) e alterações no sono (40,3%) estão entre as principais mudanças percebidas pelos pais após o início do uso frequente das telas.

Em entrevista ao A TARDE, a psicóloga Laíse Brito alertou para os impactos do uso precoce no desenvolvimento infantil. A especialista destacou que o excesso de estímulos digitais pode afetar áreas importantes do cérebro, além de prejudicar a regulação emocional das crianças.

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“O sistema nervoso central de uma criança precisa aprender regulação emocional com um outro sistema nervoso, geralmente um adulto que pode transmitir esse apoio. Uma tela não tem essa competência e afetividade. O uso precoce, além de deixar o cérebro preguiçoso, faz com que muitas partes possam se atrofiar, sem desenvolver ao máximo a sua capacidade de processamento e assimilação”, disse.

O estudo ainda identificou diferenças entre as classes sociais. Famílias com renda acima de R$ 10 mil tendem a permitir o acesso mais cedo aos dispositivos, enquanto famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil costumam adiar o uso regular até a pré-adolescência.

Para a psicóloga, a facilidade de acesso nas classes mais altas pode mascarar os danos. “Ter recursos financeiros nem sempre é um preditor de saúde. As telas, por vezes, são um alívio do quanto uma criança demanda de atenção, servindo de fuga para cuidadores exaustos. Atividades como essas podem ter caráter de solução imediata, mas com consequências longínquas”, pontua.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que as mães lideram o monitoramento do uso das telas. Entre as mulheres entrevistadas, 88,3% afirmaram impor regras claras para os filhos, contra 68,9% dos homens.

O levantamento ouviu 1.042 pais e responsáveis na Bahia entre os dias 26 e 30 de abril de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais.

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