A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, firmou um acordo de delação premiada para detalhar a fuga de 16 detentos da unidade prisional da cidade, ocorrida em dezembro de 2024.
No seu depoimento, Joneuma expôs sua relação deputado federal Uldurico Júnior, que à época estava no MDB e atualmente filiado ao PSDB, e as negociações com o líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”.
De acordo com o portal Bahia Notícias, para cumprir o acordo, Joneuma foi obrigada a detalhar espontaneamente todos os esquemas criminosos envolvendo o deputado e Dada, indicando provas e identificando outros participantes.
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O acordo para a delação prevê o cumprimento de uma pena privativa de liberdade total de seis anos, o que representa uma redução de dois terços em relação à pena máxima possível. No intervalo, ela cumpriria apenas um ano em regime fechado, enquanto os cinco anos restantes seriam entre o semiaberto e o aberto, sem uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo delação ao Ministério Público da Bahia, Uldurico Júnior teria exercido forte influência dentro do sistema prisional, com acesso a unidades e contato direto com detentos, incluindo lideranças de facção. O grupo, de acordo com a colaboradora, atuava na captação de votos entre presos, familiares e aliados externos, com pagamento de R$ 100 por voto.
A nomeação de Uldurico para um cargo público teria sido estratégica para facilitar interesses dentro do presídio. Após a derrota nas eleições municipais de 2024, ele teria negociado um acordo de R$ 2 milhões com a facção para viabilizar a fuga de detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro daquele ano, quando 16 presos escaparam. Até agora, a maioria segue foragida. O ex-parlamentar foi preso nesta quinta-feira (16), em Praia do Forte.





